Veja dicas para se livrar das dívidas com cartão de crédito e dos juros do cheque especial


19/05/17 - 11:20

O número de famílias endividadas atingiu sua terceira alta consecutiva em 2017 chegando a 58,9%, enquanto o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso foi o maior desde setembro de 2016, com 24,1%.


Milhões de brasileiros caíram na armadilha do ‘crédito fácil’, acreditando que o cartão de crédito era uma boa opção para gastar e pagar contas e que os empréstimos, financiamento e cheque especial eram um bom negócio. Se você faz parte desse grupo e está totalmente endividado, usando o limite do cartão para cobrir dívidas de lojas, usando o cheque especial para cobrir despesas de casa, tirando um empréstimo para quitar outro, com nome negativado e dívidas se multiplicando mês a mês, saiba que é possível se livrar desse problema.


O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) elaborou esse conjunto de dicas para ajudar o consumidor a se livrar desses débitos.


Variação de taxas por linha de crédito:


Cartão de crédito: de 442,33% ao ano (março) para 397,75% ao ano (abril)


Cheque especial: de 305,76% a.a. (março) para 302,31% a.a. (abril)


Juros do comércio: de 98,05% a.a. (março) para 95,82% a.a (abril)


Financiamento de automóveis (bancos): de 30,60% a.a. (março) para 30,30% a.a. (abril) Empréstimo pessoal (bancos): de 70,17% a.a. (março) para 68,62% a.a. (abril) Empréstimo pessoal (financeiras): de 158,90% a.a. (março) para 156,05% a.a. (abril)


Como se livrar de dívidas com Cartão de Crédito

A dívida no cartão de crédito é a que cobra os maiores juros do mercado brasileiro, chegando a 12% ao mês. Somados à multa, juros por atraso e cobrança indevida de comissão de permanência, a conta pode passar dos 15% ao mês sobre as parcelas vencidas e não pagas. Ou seja, em um mês o consumidor é cobrado em taxas de juros equivalentes a 18 (dezoito) meses de rendimento da poupança. Para se livrar das dívidas, o consumidor deve seguir os seguintes passos:


Procure a administradora de seu cartão de crédito e veja qual a possibilidade de acordo para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento.


Avalie também, caso seja correntista de banco, a possibilidade de tomar um empréstimo do tipo CDC – Crédito Direto ao Consumidor para liquidar a dívida do cartão e pagar este empréstimo em parcelas. Os juros do CDC costumam não ultrapassar 3% ao mês.


Caso não consiga um acordo administrativo ou uma linha de financiamento para quitar a dívida, você pode recorrer a Justiça. Em uma ação judicial, pode-se questionar os juros cobrados (que não podem exceder a média do mercado divulgada no site do BACEN), a capitalização de juros (que é vedada pelo STF), e a cobrança de multas indevidas (acima de 2% conforme Código de Defesa do Consumidor).


Clientes que não tenham o contrato do cartão devem solicitar uma via para a administradora. Caso tenham negado este direito, podem pedir a juntada deste contrato em ação judicial, sob pena de multa.


Como se livrar dos juros do cheque especial

Os juros do cheque especial só perdem para os juros do cartão de crédito, girando em torno de 10%% ao mês. E quando é ultrapassado o limite do cheque especial, o consumidor tem os cheques devolvidos e seu nome fica negativado tanto pela empresa que recebeu o cheque sem fundos como no CCF – Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos. Para se livrar das dívidas, o consumidor deve seguir os seguintes passos:


Procure o gerente do seu banco e busque a possibilidade de contratar um empréstimo do tipo CDC – Crédito Direto ao Consumidor para liquidar a dívida do Cheque Especial e ainda resgatar os cheques sem fundos emitidos. Há opções de antecipar a restituição do Imposto de Renda, as Férias, o 13o Salário ou fazer um empréstimo consignado em folha de pagamento, que tem juros ainda menores.


Uma vez com o crédito liberado, procure as lojas onde passou os cheques para resgatar o cheque. Negocie desconto de multas e juros, explicando que passa por dificuldades transitórias. Muitas vezes os lojistas preferem receber o débito sem cobrança de encargos, do que ficar sem receber. Feito o acordo, o lojista vai lhe devolver o cheque e é obrigado a baixar restrições cadastrais em seu nome.


De posse dos cheques resgatados, leve-os ao banco para que este proceda à baixa da negativação no CCF – Cadastro de Emissores de Cheques sem fundos.


Caso não consiga um acordo administrativo ou uma linha de financiamento para quitar a dívida, você também pode recorrer a Justiça para questionar o contrato de Cheque Especial, cujos abusos são os mesmos que os detectados em contratos de Cartão de Crédito e pode-se também conseguir uma boa redução do débito, revisando os juros pagos até 10 (dez) anos antes da propositura da ação.

Fonte: Jornal do Commercio

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